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20 de março de 2019

O NEVÃO DE 1900

Excerto do jornal "O Desforço" de 22 de Março de 1900




No dia 20 de Março, há precisamente 119 anos, a antiga vila de Fafe acordou sob um manto de neve. Uma entrada gélida na Primavera.
O jornal “O Desforço” deu a notícia que, de seguida, reproduzimos:
«Nevadas
Depois dos dias de sol primaveris que estiveram e pareciam jamais terminar, fazendo largar os fatos grossos e agasalhos d’inverno, houve tão brusca mudança na temperatura que baixou a ponto de se sentir um frio siberiano que fazia tiritar a valer.
Esse frio veio intermeado com chuvas que nas colinas e serras principaes eram flocos de neve a amontuarem-se; essas chuvas transformaram-se em neve por aqui tambem, aparecendo na terça-feira de manhã os montes circunvisinhos todos brancos. Porem á noite a neve augmentou de quantidade, nevando toda a noite. Hontem de manhã, eram arvores e telhados tudo coberto de neve, apresentando a villa e montes um aspecto lindíssimo; durante o dia cahiram varias camadas de neve, que não pegou nas ruas, por se acharem molhadas. Os montes e serras que se descobrem estão cobertos de neve. Há muitos annos que por aqui não nevou assim.
O frio é intenso.»
In: Jornal “O Desforço”, 22 de Março de 1900



12 de março de 2019

PIROTÉCNICO PERDEU DUAS MULHERES E DOIS FILHOS EM EXPLOSÕES





Francisco Vieira, proprietário de uma pirotecnia, viu perecer as suas duas esposas e os dois filhos mais velhos, em explosões de paióis.
Aconteceu na década de 30 do século XX, na freguesia de Santa Cristina de Arões.
Em 1931, o pirotécnico Francisco Vieira, vitima do infortúnio, sofreu uma explosão na sua oficina, ceifando a vida da sua primeira mulher e dois dos seus filhos.
Sete anos depois, em fatídica sexta-feira, 11 de Março, durante uma pausa para a merenda, no lugar do Monte das Covas Abertas, em Santa Cristina de Arões, uma “violenta explosão, que se ouviu na vila de Fafe, e em freguesias vizinhas”, vitimou, mortalmente, a sua segunda companheira, Joaquina da Conceição de 34 anos, e deixou feridos, com gravidade, o próprio Francisco Vieira e um seu empregado, Américo Teixeira, de Quinchães.
Os Bombeiros Voluntários de Fafe foram alertados pelo telefone da fábrica da Gaia, encontrando o paiol ainda em chamas, e o triste quadro de uma morta e dois feridos, prestando os seus dedicados serviços”, refere o jornal “O Desforço”, em 17 de Março de 1938, acrescentando que, “o cadáver da Joaquina Conceição foi transportado, perante comovente pranto, ao cemitério da respectiva freguesia, e os dois feridos lá continuam em tratamento no hospital, receando-se pela vida do primeiro”.
Até ao momento, não conseguimos conhecer o desfecho do malogrado fogueteiro Francisco Vieira.

28 de fevereiro de 2019

CAFÉ AVENIDA HÁ 110 ANOS


O interior do Café Avenida poucos anos depois da inauguração
Reprodução do Almanach Ilustrado de Fafe



O Café Avenida, a funcionar na actualidade; o de maior longevidade em Fafe, abriu no dia 1 de Março 1909, pouco tempo depois da abertura da "Avenida da Estação", há precisamente 110 anos.
Fundado pelo malogrado António Dias Saldanha Peixoto, em sociedade com Manuel de Freitas Fernandes, o Avenida foi o primeiro Café requintado da vila de antanho; na época, existia apenas um outro café mais antigo, designado por "O Figurão".
Em 1909, em termos de restauração, Fafe tinha cinco hotéis, uma hospedaria e dois restaurantes; um total de doze Casas de Pasto completava o conjunto de negócios onde se podia comer e refrescar as gargantas.
O Avenida foi pioneiro, em Fafe, no conceito de Café luxuoso, uma casa de convivio e diversão, inspirado noutros estabelecimentos existentes apenas em grandes cidades.


A notícia da abertura do Café Avenida no semanário "O Desforço", em 1909





Reprodução do "Almanach Illustrado de Fafe"

António Dias Saldanha Peixoto foi o principal fundador e impulsionador do Café Avenida durante cerca de uma década.



A Primeira publicidade


Reprodução do "Almanach Illustrado de Fafe", 1909




Um testemunho dos anos 50 (séc. XX)

«Era uma sala rectangular com grandes espelhos que reflectiam as lindas mesas com tampos de mármore branco, à volta das quais estavam belas cadeiras construídas em madeira nobre. Ao fundo, do lado esquerdo, para quem entrava no café, havia um belo balcão, atrás do qual estava uma estante de várias utilizações. O bilhar de quatro tabelas antecedia a grande porta que dava para o caramanchão, lindo e ameno recanto onde nas tardes de Verão se bebia um bom verde  acompanhado de petiscos, conversas sobre História, Filosofia e Política. Por isso o Avenida se chamava o café dos intelectuais.
A burguesia culta frequentava-o diariamente e ali convivia com pequenos comerciantes, industriais e gente de todo o estrato social. Dizia-se, aí pelos anos cinquenta, que no Avenida se aprendia a Democracia, a Liberdade, o respeito pelo diferente».

In: “António Saldanha – Lembrar um Homem, de António Teixeira da Silva e Castro, Braga 1998.



Reprodução do "Almanaque Ilustrado de Fafe"

António Augusto da Silva Saldanha foi o mais carismático e distinto proprietário do Café Avenida. O seu humanismo e forte convicção politica antifascista, motivou a inclusão do seu nome na toponímia da cidade de Fafe em 1978.


Este apontamento é uma abordagem superficial de uma investigação em curso, que, oportunamente será publicado.
110 anos de História do emblemático Café Avenida, não se esgotam em poucas linhas...