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1 de março de 2020

CAMINHO DE FERRO “AMERICANO” PODIA TER CHEGADO A FAFE NO SÉCULO XIX


“Americano” do Porto por volta de 1880.


Os carros "americanos", puxados por mulas, sobre via férrea de bitola métrica, foram um meio de transporte para pessoas e mercadorias.
Os carros "americanos", assim chamados por terem sido inventados, em 1832, nos Estados Unidos da América, surgiram na cidade do Porto em 1872 e, dois anos depois ligavam o centro da Póvoa de Varzim a Vila do Conde.



História ferroviária fafense começou há 148 anos

A origem do troço ferroviário Trofa a Fafe prende-se a uma concessão feita ao italiano Simão Gattai, em 11 de Julho de 1871, visando a construção de um caminho-de-ferro “americano”, sobre estrada, ligando o Porto a Braga, com passagem por Santo Tirso e Guimarães.
Em 28 de Dezembro de 1872, o governo alterou as condições da concessão, obrigando ligar o caminho férreo proposto à linha do Minho, por Vizela e Fafe.

«Tendo o governo concedido licença a Simão Gattai, por decreto de 11 de Julho de 1871, para estabelecer um caminho de ferro americano (rail road) entre o Porto e Braga, por Santo Thyrso e Guimarães, sobre as estradas reais nºs 32 e 27;
Pedindo o mesmo Simão Gattai auctorização para empregar locomotivas na exploração do dito caminho; e não podendo esta autorização ser concedida sem que o emprezario se obrigasse a construir o caminho em leito próprio, alterado o traçado e modificadas as clausulas e condições da primitiva licença;
Vista a acceitação de Simão Gattai: Hei por bem modificar e alterar as disposições do decreto de 11 de Julho de 1871, nos termos dos artigos seguintes:
I O concessionario Simão Gattai efectuará á sua custa:
1º Os estudos e a construção de um caminho de ferro de via reduzida com todas as suas dependencias entre um ponto do caminho de ferro do Minho, proximo ao rio Ave e as Taipas, com um ramal de Fafe por Vizella, a entroncar na linha principal entre Santo Thyrso e Guimarães. » (…)

O ministro e secretário d’estado dos negocios das obras publicas commercio e industria assim o tenha entendido e faça executar.

Paço, em 28 de Dezembro de 1872. = Rei. = António Cardoso Avelino.
Diário do Governo nº 4, de 7 de Janeiro de 1873





“Americano” na Póvoa de Varzim por volta de 1880.

Em 1874, por falência de Simão Gattai, a concessão foi trespassada à companhia inglesa “Minho District Railway Company, Limited” e, por despacho de 18 de Fevereiro do referido ano, foi dispensada a construção do ramal de Fafe.
Desta forma foi gorada a intenção de fazer chegar à vila de Fafe um caminho-de-ferro, por tracção animal, transporte este que viria a ficar obsoleto em inícios do século XX.
A “Sala de Visitas do Minho” ficou mais de três décadas à espera do seu caminho-de-ferro; do tão ambicionado melhoramento, que só chegaria em 1907.
Manteve-se o transporte a cavalo e os “trens” de tracção animal, fora dos trilhos de ferro, por caminhos tortuosos de pouca “realeza”…

O “americano”, afinal, não chegou a Fafe…


5 de agosto de 2011

FAFE PERDEU O COMBOIO HÁ 25 ANOS




Após 79 anos de vai e vem entre Fafe e Guimarães o Caminho de Ferro foi encerrado em 31 de Maio de 1986.

O processo de desactivação do troço ferroviário entre Guimarães e Fafe teve o seu anúncio na visita, a Fafe, do então Ministro do Equipamento Social, Rosado Correia, em 30 de Dezembro de 1983.

Na altura o Governo comprometeu-se a pagar à Câmara Municipal local uma verba de 500 mil contos destinados à construção de uma via circular e uma central de camionagem. Rosado Correia “comprometeu-se” também em propor a classificação da via como de interesse turístico e instalar um Museu Ferroviário.

Parcídio Summavielle, líder autárquico na época, não escondeu o seu agrado pelas contrapartidas ao “óbito” da linha férrea e, no ano seguinte, em 11 de Maio de 1984, agraciou o Ministro com a Medalha de Prata de Mérito Concelhio, deixando bem claro que aquele reconhecimento não era qualquer “negócio” ou acto “gratuito”, respondendo assim aos fafenses que não concordavam com o fim da ligação ferroviária de Fafe para a Cidade Berço.

A derradeira viagem ferroviária aconteceu no sábado 31 de Maio de 1986, há 25 anos atrás.

O Município “vendeu” o Caminho de Ferro por cerca de meio Milhão de contos, “tirados a ferros”, investidos em melhoramentos de vital importância para o desenvolvimento do concelho. Uma parte importante das contrapartidas ficou por cumprir, nomeadamente o aproveitamento da linha para turismo e o anunciado núcleo museológico.

A linha deu lugar a uma pista de ciclo turismo e percurso para caminhadas. Os que na altura levantaram a sua voz contra o fim do Caminho de Ferro em Fafe, pouco ou nada disseram sobre o incumprimento global do protocolo então assinado; tratava-se, contudo, de um Património Histórico relevante, testemunho vivo de uma das mais importantes conquistas de uma Vila chegada há pouco ao século XX. Ciclicamente, desde 1986, o assunto vem a lume e aquece algumas discussões; mas, ainda há quem acredite que o comboio será alternativa, também para Fafe, num futuro mais ou menos longínquo… eu sou um desses “crédulos”!

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