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10 de abril de 2019

O SARCÓFAGO DE GOLÃES



Urna funerária pode ter cerca de dois milénios

Na freguesia de Golães, junto à Igreja Paroquial, existe um sarcófago monolítico cuja antiguidade é proposta por Mário Barroca, docente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O especialista defende a grande probabilidade de este sarcófago ser romano, (cerca de 2.000 anos). Até ao momento não foi possível conhecer a sua proveniência, contudo há notícias do aparecimento de vestígios romanos relacionados com a existência de uma necrópole (cemitério) naquela freguesia, atestando a inevitável ocupação  durante o período romano, em Golães.
O jornal “A Voz de Fafe”, datado de 19 de Agosto de 1933, publicou um pequeno artigo intitulado “Arqueologia – Um Apêlo aos Habitantes do Concelho”, que, a este propósito, refere o seguinte: “Quando da abertura da estrada de Golães, foram encontrados n’uns terrenos do Sr. Conde de Azvêdo, umas bilhas que faziam parte d’uma necrópole, que bem podia figurar num muzeu, mas desapareceram.
Lembramos à Ex.ma Câmara a conveniência de recomendar, aos encarregados das novas estradas o maior cuidado quando nas escavações apareçam destas preciosidades”.

O sarcófago de Golães tem 2,51 m. de comprimento, 0,80m. de largura média e 0,50m. de profundidade. Foi fabricado num único bloco de granito de grão fino. Tem uma configuração ovalada e vestígios para o encaixe de uma tampa, alegadamente em pedra que, entretanto, desapareceu. Um dos bordos apresenta forte desgaste por ter servido, posteriormente, para afiar armas e/ou ferramentas. Na parte exterior apresenta uma “tabula ansata” rectangular, anepígrafa, que também parece posterior.




Este sarcófago, o mais antigo conhecido no concelho de Fafe até ao momento, foi identificada por Henrique Regalo, técnico da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho que em 1981 realizou o primeiro levantamento arqueológico do concelho de Fafe. Na altura, foi-lhe atribuída uma cronologia mais tardia, nomeadamente medieval. O jovem arqueólogo fafense João Machado realizou em 2010 um trabalho sobre a temática “Sepulturas Medievais do Concelho de Fafe”, trazendo à discussão a cronologia do sarcófago de Golães, certamente anterior à época medieval.

Os vestígios arqueológicos do período romano na freguesia de Golães dão novas pistas para o conhecimento da génese da ocupação humana naquela terra, já conhecida por uma antiguidade recuada à alta Idade Média.
A arqueologia é uma disciplina que nos permite estudar vestígios ancestrais da ocupação humana, desvendando as raízes mais profundas de uma determinada comunidade. No caso concreto de Golães, essa raiz pode agora ser recuada à época romana.



Actualmente o sarcófago encontra-se no jardim fronteiro à Casa Mortuária de Golães


17 de fevereiro de 2011

CEMITÉRIO MEDIEVAL CARECE DE ESTUDO


Sepulturas antropomórficas


O concelho de Fafe é fértil em vestígios medievais relacionados com o ritual da morte durante a Idade Média.

São várias as necrópoles e sepulturas avulsas conhecidas até ao momento neste território.

As sepulturas escavadas na rocha, seladas com tampa ou simplesmente cobertas com pedras e terra, são importantes testemunhos arqueológicos com uma amplitude cronológica entre o séc. VIII e o séc. XI. Há contudo, estudiosos que recuam um pouco mais esta prática funerária por inumação.

Existem entre nós dois tipos de sepulturas escavadas na rocha: as de morfologia geométrica e as de configuração antropomórfica. As primeiras - normalmente de forma rectangular, trapezoidal ou oval, - parecem revelar maior antiguidade. Relativamente às antropomórficas – assim designadas por estilizarem a anatomia humana pelo destaque da cabeça e dos ombros, – são geralmente atribuídas ao séc. XI.

A freguesia de S. Gens no concelho de Fafe é aquela que apresenta maior número de sepulturas medievais, no actual estado do nosso conhecimento.

Vamos desta vez destacar a necrópole da Cerca da Paixão. Trata-se de um conjunto de três sepulturas de configuração antropomórfica, escavadas no mesmo afloramento granítico. Os seus extremos apresentam-se arredondados com imperfeições, traduzindo talvez alguma falta de mestria dos seus artífices ou escassez de tempo para fazer o trabalho?

As três sepulturas encontram-se orientadas no sentido nascente – poente, de forma ao defunto ficar de cara virada para nascente. É também esta uma característica comum a este tipo de sepulturas, (salvaguarde-se as excepções, muitas vezes ditada pela própria morfologia dos afloramentos onde estes túmulos foram abertos).

A ausência de elementos estratigráficos, não permite estabelecer um quadro evolutivo para estas e outras necrópoles do género.

Seguindo a tendência de enquadramento cronológico mais consensual nos meios científicos, apontamos o séc. XI para esta necrópole.

Actualmente as sepulturas encontram-se em terreno privado e vedado, pelo que não podem ser visitadas com facilidade.

Somos da opinião que junto ao local deveria ser colocada uma placa interpretativa desta importante testemunho do passado.

Entretanto estamos convictos da boa vontade do proprietário que certamente irá proteger aquele património de elevado valor concelhio.

É intenção da ATRIUMEMÓRIA, Associação de Património Cultural, durante o decorrer deste ano, realizar um levantamento pormenorizado desta necrópole milenar, dando a conhecer à comunidade científica mais e melhores informações para um estudo mais aturado.
CULTURA