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2 de junho de 2011

FESTA DE N. S. DE GUADALUPE É JÁ ESTE FIM-DE-SEMANA



A simpática freguesia de Cepães já está preparada para realizar a tradicional festividade em honra de N. S. de Guadalupe.

Este sábado e Domingo, 4 e 5 de Junho, Cepães sentirá a presença de muitos forasteiros que anualmente visitam a localidade por ocasião da sua festa maior.

A Romaria a Guadalupe, em Cepães, parece ter origem nos finais do século XVII, altura em que foi edificada uma capela devotada à Senhora “protectora da agricultura”.

Na manhã de sábado uma arruada de bombos anunciará a festa, que só à noite terá o seu ponto alto com a realização da tradicional procissão de velas, unindo S. Tiago à Igreja Paroquial.

A noitada vai ser animada com música ao vivo e uma grandiosa sessão de fogo de artificio.

Na manhã de domingo haverá missa cantada como preparação para a concorrida e vistosa procissão de N. S. de Guadalupe, durante a tarde.

Mais música e outros divertimentos animarão os populares devotos a um culto e a uma festividade que, cada ano, ganha maior brilho e participação.







28 de maio de 2011

OS ARTÍFICES DA LUZ

Igreja Paroquial de Cepães



Estamos no Minho região particularmente conhecida pelas suas festas populares, arraiais e romarias. Sempre admirei a forma singular como o Minho mantém as suas tradições nas inúmeras romarias onde o religioso é muito devotado e o profano igualmente apreciado.

Quando chega o verão a “Terra verde” entra em festa, por todo o lado entoam foguetes e os altifalantes, que do alto de igrejas e capelas, debitam música popular, seja “pimba” ou folclórica, anunciam ao Povo que se aproxima o dia da festa.

Antecipadamente as comissões entram em acção preparando os festejos ao pormenor.

Já lá vai o tempo dos “paus embandeirados”, há muitos anos que a luz eléctrica faz parte das ornamentações, mais arco menos arco, à medida do orçamento, não há festa que se preze que não tenha iluminações artísticas.


Aproxima-se o dia da grande festividade em honra de Nossa Senhora de Guadalupe na freguesia de Cepães. Na tarde da passada sexta-feira 27 de Maio, passei pela igreja paroquial daquela localidade e reparei nos preparativos para a festa que se aproxima a passos largos, nomeadamente nos trabalhos de iluminação do templo. Observei dois homens “pendurados” na torre sineira, dispondo criteriosamente as armações preenchidas com pequenas lâmpadas multicolores que outro homem ultimava em terreno mais seguro.


António, com 20 anos, trabalhava na parte alta da torre junto aos sinos, estava seguro por uma corda que o prendia à cintura; “isto é obrigatório mas prende-me os movimentos, tem de ser…” disse-me o jovem. O Manuel com 47 anos, deslocava-se cuidadosamente no friso médio da torre sem qualquer protecção, “estou habituado, já trabalho nisto há 14 anos”, afirmou o Manuel que nunca sofreu qualquer acidente mais grave para além de “uns choques eclécticos e umas pequenas quedas, nada de mais”, referiu. Já passava das 15 horas, o calor apertava e Manuel e António continuavam o seu trabalho de alto risco, enquanto generosamente respondiam às minhas questões. “Vamos aparecer no jornal? Perguntaram enquanto eu apontava a objectiva da máquina fotográfica e registava aquela cena “radical” onde dois homens desafiavam a lei da gravidade deambulando por estreitos frisos graníticos em redor da uma torre com cerca de vinte metros de altura.


Chegado a casa escrevi esta peça e ocorreu-me que, pela primeira vez, tinha entrevistado dois “equilibristas sem rede” que arriscam a sua vida para tornar as festas mais vistosas, em troca de poucas centenas de euros.

A partir de agora, sempre que apreciar um templo iluminado vou lembrar-me dos “Antónios” e dos “Mamuéis” que por todo este Minho trabalham no limite do abismo que a qualquer momento pode atrair fatalmente.

Fica aqui a minha admiração e singela homenagem a estes homens sem vertigem, “artífices da luz”.








22 de maio de 2011

SOCIEDADE DE RECREIO CEPANENSE DEU ESPECTÁCULO CULTURAL SEM PRECEDENTES NA FREGUESIA



Após uma introdução pelo pároco da freguesia Padre Marques o espectáculo abriu com uma apresentação do Grupo de Jogo do Pau da SRC, refira-se que esta actividade tem já uma longa tradição em Cepães; seguiu-se uma performance poética, protagonizada por Ana Martins e Sandra Ribeiro, com acompanhamento de F. Miguel Freitas na viola e César Silva na percussão; A cantora Celina Tavares, acompanhada ao teclado por José Miguel Costa, interpretou de forma sublime vários temas pouco conhecidos do grande público, atraindo a plateia; O prestigiado grupo “Leões do Ferro” aceitou o convite e participou com danças tradicionais recriadas, com belo efeito coreográfico; para finalizar este desfile de actuações, o grupo de música popular “Ribeiro e Amigos” contagiou o público com temas populares que integram um CD que este conjunto está a ultimar. Muita animação em um fim de festa que continuou com a abertura de uma Mostra Colectiva de Artes Plásticas da responsabilidade das Galerias Belart (Atelier do Prof. J.J. Silva), com obras magníficas de artistas locais e convidados de fora do concelho. Recorde-se que esta Mostra teve também uma componente etnográfica, com a exposição de antigas peças e artefactos, que fazem parte de uma memória colectiva que a Associação “Atriumemoria”, através do seu “Espaço Memória” está a recuperar, preservando a identidade fafense por via do estudo e divulgação do seu valioso Património Cultural, em vertentes diversas. Este sarau cultural que ficará na história da freguesia, nomeadamente da agremiação anfitriã: Sociedade de Recreio Cepanense que festejou o seu 85º aniversário de uma forma elevada, com um evento cultural que ficará registado na memória de muitos cepanenses que assistiram àquela manifestação cultural em ambiente descontraído, sem “etiquetas”. O evento terminou com exibição de um vídeo relativo a Cepães e um porto de honra oferecido aos presentes.

17 de maio de 2011

SOCIEDADE DE RECREIO CEPANENSE CUMPRE 85 ANOS



No próximo sábado 21 de Maio. Pelas 21h30, no Salão Paroquial de Cepães será inaugurada uma Mostra Colectiva de Artes Plásticas da responsabilidade das Galerias Belart (Atelier Prof. J.J.Silva) e da Atriumemoria através do seu Espaço Memória, com peças e artefactos de outros tempos, reavivando uma memória colectiva que esta associação cultural quer preservar e dinamizar.

O evento será animado com a actuação do Grupo de Jogo do Pau da S.R.C., poesia por Sandra Ribeiro e Ana Martins, acompanhadas à viola por F. Miguel Freitas e a percussão de César Silva, seguir-se-á um momento musical protagonizado por Celina Tavares e José Miguel Costa. O Grupo “Leões do Ferro” actuará com números de dança e para finalizar tocarão as concertinas de “Ribeiro e Amigos”.

A exposição ficará aberta ao público durante alguns dias podendo ser visitada livremente pelos interessados.



9 de maio de 2011

CORTEJO A NOSSA SENHORA DE GUADALUPE UM DOS MELHORES DOS ÚLTIMOS ANOS




Na tarde do passado Domingo 8 de Maio teve lugar, em Cepães, o tradicional Cortejo em honra de N. S. de Guadalupe, padroeira dos agricultores, virgem muito devotada naquela freguesia, em particular, onde por ocasião da romaria a Ela dedicada, no primeiro fim-de-semana de Junho, acorrem muitos forasteiros.

Com alguma certeza, sabe-se que o culto à Senhora de Guadalupe, em Cepães, existe desde há mais de três séculos. No lugar do Terreiro, próximo da Igreja Paroquial, foi erigida, no século XVII, uma capela votada à Virgem de Guadalupe, cujo culto foi trazido de Sevilha para Portugal em meados do Século XIV.

Cumprindo uma tradição que se perde no tempo, os cepanenses voltaram a realizar o cortejo à Senhora milagrosa. No inicio da tarde saíram carros alegóricos dos três principais lugares da freguesia: Gaia, S. Tiago e Devesinha, para depois se juntarem e desfilarem por artérias da freguesia. Como é habitual esta manifestação popular foi bastante assistida, por residentes e muitos forasteiros oriundos de terras vizinhas.

Este ano a Comissão de Festas organizou um cortejo ainda maior que em anos anteriores. Vinte e três carros, maioritariamente, tractores com cargas de madeira; os carros com as ofertas para leiloar incorporaram também este desfile, com grande carga satírica, onde nem o “falecido” Bin Laden escapou. Desfilaram também carros e figurantes com representações etnográficas; grupos de tamborileiros, gigantones e concertinas, marcaram o ritmo da “marcha”, onde aqui e ali surgiram mascarados em jeito de Carnaval fora de tempo que arrancaram as gargalhadas do numeroso público.

Este cortejo de oferendas, dos maiores em todo o concelho de Fafe, é cada vez mais um misto de tradição, memória e devoção revelada pelas numerosas dádivas do Povo que não quer que falte nada na festa que e aproxima a passos largos.

É uma manifestação popular onde o “profano” também marca a sua presença, com cenas “obscenas” de raiz pagã. Mas o cortejo é feito pelo Povo para o Povo que quer manter viva uma traição que o tempo vai moldando em função das mentalidades.

A novidade deste ano foi a realização de uma “Feirinha Tradicional” no largo contíguo à capela, muito concorrida e onde se vendeu produtos artesanais, hortícolas, aves, doçaria regional entre outros.

Segundo a organização o objectivo foi ultrapassado, com uma das maiores participações, o cortejo a Guadalupe foi, este ano, uma prova de força contra a crise instalada. Em tempos difíceis os crentes apegam-se mais à religião, avultando as suas preces, neste caso, à sua tão venerada Virgem de Guadalupe.

7 de maio de 2011

CORTEJO DE OFERENDAS A NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

Cortejo 2007



Cortejo 2007




Cortejo 2007





Este domingo, dia 8 de Maio às 14h00, realiza-se na freguesia de Cepães o Tradicional Cortejo em Honra de Nossa Senhora de Guadalupe. Promovido pela Comissão de Festas que anualmente organiza a principal festividade religiosa da Freguesia, designadamente a Festa em Honra de N. S.S. de Guadalupe que, o cortejo lúdico-etnográfico tem como principal objectivo recolher fundos para a organização da solenidade que todos os anos no 1.º domingo de Junho atrai inúmeras pessoas a Cepães.

Este ano, a iniciativa contempla ainda a dinamização de uma Feirinha de produtos típicos, junto à Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, que promete ser um cartão-de-visita e divulgação das tradições agrícolas e artesanais da freguesia de Cepães.

5 de maio de 2011

ORIGEM DO CULTO EUROPEU A NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

Nossa Senhora de Guadalupe, Cepães, Fafe

Estudos publicados em “Medievalista on line”, nomeadamente a dissertação de Mestrado de Ana Maria Parente que refere outros autores e documentação medieval despertaram o nosso interesse pelo facto de existir em Fafe o culto à Senhora de Guadalupe.

Tradicionalmente, na Península Ibérica, o culto a Nossa Senhora de Guadalupe remonta ao período Visigótico, entre as invasões bárbaras (séc. V) e a invasão muçulmana (séc. VIII).

Diz a lenda que a imagem pertenceu ao evangelista S. Lucas. No século IV ela teria sido levada para Roma por S. Gregório e daí para Sevilha por S. Isidoro. No século VIII, com a invasão muçulmana, a imagem terá sido retirada de Sevilha e escondida nas proximidades do Rio Guadalupe em, Cáceres, onde, supostamente foi descoberta séculos depois, nos alvores do Século XIV, por um pastor chamado Gil Cordero.

«O pastor perdeu uma das suas vacas encontrando-a morta ao fim de três dias de buscas. Fez, como era costume, o sinal da cruz sobre ela, antes de a esfolar para aproveitar a pele, e, eis que o animal volta à vida. Simultaneamente apareceu-lhe Nossa Senhora, que o incumbiu de participar o facto aos padres da sua terra, para que naquele local, onde escavando encontrariam a imagem, construírem um templo em sua homenagem.

Senhora de Guadalupe Cáceres, Espanha


O pastor, de regresso a casa, encontrou um filho morto, prestes a ser sepultado. Aos seus rogos dirigidos à Virgem novo milagre se produziu e o filho ressuscitou. Os padres presentes testemunharam o acontecimento e procederam segundo as indicações. Desenterraram relíquias, a imagem e uma carta explicativa das razões de se encontrar ali e qual a sua origem.»

Nasceu então uma pequena ermida que depois da visita de Afonso XI, em 1340, foi por ele protegida e transformada em grande centro de peregrinação.

Foi a partir da batalha do Salado, que o culto à Virgem de Guadalupe entrou em território português.

A origem do nome Guadalupe tem várias interpretações: Agua de Lupe ou Augua de Lupe; outros autores defendem a evolução seguinte: Agua de Luce – Agua de Lupe – Agualupe – Guadalupe.

A imagem mais antiga de Guadalupe encontra-se no Convento do mesmo nome em Cáceres, Espanha. É uma estatueta em madeira de cedro com 59 centímetros de altura, 4 quilos de peso, que os especialistas atribuem ao século XII.

Tudo indica portanto que o culto a esta Senhora, padroeira da agricultura, controladora de tempestades, e ressuscitadora de mortos, surgiu em Portugal nos meados do século XIV.

Quando a Capela da Senhora de Guadalupe em Cepães foi edificada a veneração a esta Virgem já existia em Portugal há cerca de três séculos e meio.

Em território português encontramos outros templos votados à Senhora de Guadalupe: Serpa no Alentejo; Vila do Bispo, no Algarve; Braga; Águas Santas na Maia, entre outros.

Ermida de N. S. de Guadalupe, estilo hispano-muçulmano, Serpa, Alentejo



29 de janeiro de 2011

"MUSEU" DE RUA EM CEPÃES


Há quem decore o exterior das suas casas com símbolos clubistícos, peças de gosto duvidoso, letreiros com os mais diversos "dizeres"... na freguesia de Cepães fomos encontrar uma casa "decorada" de forma distinta, original,  representação de um passado recente que já quase desapareceu.
Peças autênticas, que outrora foram utilizadas nas lides agrícolas.
Estas, felizmente, não foram deitadas fora, o seu proprietário quis guardá-las, talvez para recordar um tempo no qual também foi protagonista.
Um pormenor delicioso... digo eu!