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12 de outubro de 2012

O EDIFÍCIO DA ESCOLA PRIMÁRIA SUPERIOR

Reprodução do "Almanaque Ilustrado de Fafe", 1921

O mesmo edifício na actualidade


Nesta casa que, segundo Miguel Monteiro, pertenceu a António Dias Gonçalves, “brasileiro” fafense dos finais do séc. XIX, funcionou a Escola Primária Superior de Fafe, uma inovação republicana no ensino que, por cá, durou pouco mais de  seis anos. Foi inaugurada em 23 de Outubro de 1919 e desactivada no final do ano lectivo 1925/26.




Um belo edifício com alicerces oitocentistas, alterado no séc. XIX, actuamente ocupado por moradia e comércio.



Oportunamente voltaremos a esta casa histórica localizada na rua  Combatentes da Grande Guerra.







1 de março de 2012

CRUZEIRO DA INDEPENDÊNCIA FOI INAUGURADO

"Cliché de José Mesquita - Pôrto"

Foi há cerca de 72 anos, numa segunda-feira, dia 15 de Julho de 1940 que autoridades da época procederam à inauguração do “Padrão Comemorativo dos Centenários”, (1140 e 1640) erigido no jardim fronteiro à antiga Estação de Caminho de Ferro.
«É obra da Câmara Municipal e da Comissão das Festas da Vila e Centenárias nesse ano Áureo. A gravura representa o Cruzeiro da Independência e o ilustre Pároco da vila de Fafe Ver.º Snr. Manuel Domingues Basto, solenemente paramentado, deitando-lhe a bênção, após a qual fez um eloquente discurso recamado de flores, de vibrações pátrias. Além de milhares de pessoas, assistem os Snrs. Sub-Secretário do Ministro das Obras Públicas Engenheiro Espregueira Mendes, Governador Civíl Dr. José Joaquim d’Oliveira, Presidentes da Câmara Dr. António Freitas e da Comissão Concelhia da União Nacional Dr. José Barros e outras pessoas de representação.»

In: Almanaque Ilustrado de Fafe, 1941, p. 95

Aspeto atual do Cruzeiro da Indepêndencia
Foto de Manuel Meira





15 de janeiro de 2012

A GRANDE INOVAÇÃO DO CINEMA CHEGOU A FAFE



Foi há 56 anos, no domingo, 13 de novembro de 1955, que, em ambiente festivo, foi inaugurado o Cinemascópio no Teatro-Cinema local. A sala repleta, decorada a preceito, aumentou a ansiedade dos espectadores que pela primeira vez assistiram ao cinema em grande tela, com som estereofónico. “ O Egípcio”, estreado em 1954, foi o filme escolhido para aquela importante inovação cinematográfica, que teve direito a nova sessão na segunda-feira seguinte.

Fonte: Jornal " O Desforço", 17 de Novembro de 1955

31 de dezembro de 2011

JOGO DO PAU TEVE ENCONTRO NACIONAL EM FAFE




 Corria o ano de 1986, em plenas Feiras Francas, quando Fafe acolheu, nos dias 17 e 18 de maio, o primeiro Encontro Nacional de Jogo do Pau que decorreu na Praça 25 de Abril com as demonstrações dos grupos participantes: Sociedade de Recreio Cepanense, coletividade organizadora em parceria com o Grupo Cultural Kas Bak, Casa do Povo de Cepães, Escolas de Jogo do Pau de Bucos, Atneu Comercial de Lisboa, Casa do Povo de Espinheiro, Grupo Recreativo Piedense e Ginásio Clube Português.
Milhares de pessoas assistiram às exibições de muitas dezenas de praticantes desta modalidade que, em Fafe, já teve melhores dias.

Há 25 anos a RTP fez a reportagem para o pequeno ecrã deste Encontro que incluiu um debate onde foi lançado, já na altura, uma “critica aberta a todas as entidades oficiais que, servindo-se da modalidade para representações, receções e mais atos que entenderem convenientes, solicitam as coletividades, não dando em contrapartida o necessário apoio para o desenvolvimento das respetivas escolas de Jogo do Pau”.
“As coletividades presentes reivindicaram também a criação de uma Confederação do Jogo do Pau, pondo-se em paralelo com outros desportos portugueses que em jogos internacionais representam o nosso país”.

Fonte: Boletim Informativo da C.M.F. nº 21, junho de 1986


26 de dezembro de 2011

O CINEMA CHEGOU A FAFE






Foi no Domingo de Páscoa de 1924 que, pela primeira vez, os fafenses assistiram no Teatro-Cinema local a uma sessão de cinema mudo com a película “ O Pobre Miudinho”, realizado em 1921 e protagonizado por Jackie Coagan, o célebre garoto do imortal Charles Chaplin.

“Com uma casa verdadeiramente á cunha, inaugurou-se no domingo de Páscoa, no admirável Teatro desta vila, a parte cinematográfica com a linda fita «O Póbre Miudinho», na qual o Garôto de Charlot se revela um puro artista e com o «film» «Pencudo Detective de Hotel». A primeira constou de 6 partes e é verdadeiramente moralisadora; a segunda foi exibida em 2 partes, fazendo rir constantemente.
A sessão foi abrilhantada com um sexteto.
No começo, o publico irrompeu com uma entusiástica salva de palmas, como que de saudação e agradecimento ao incansável proprietário e director do Teatro snr. Dr. José Sumaviele Soares, que proporcionou a todos mais esta distração.
O aparelho é o mais perfeito que há no género e o operador dele, executará com mais perfeição.
Esperam-se pois grandes enchentes sempre, porque o preço é relativamente barato e as fitas escolhidas.”

In: jornal "O Desforço" de 24 de Abril de 1924
 Foi assim que há 88 anos Fafe começou a assistir regularmente ao cinema mudo no Teatro-Cinema local.

18 de dezembro de 2011

HOMEM MAIS VELHO DE FAFE MORREU “VIRGEM” COM 110 ANOS




Em Dezembro de 1932, José Manuel Exposto, também conhecido por Zé Mané, faleceu na Casa do Soeiro em Medelo, com cerca de 110 anos de idade.
José Exposto era um homem forte, trabalhador, rude mas respeitador, que chegou a ser militar na Índia.
Foi criado de Sebastião Vilas Boas.
«Sempre amou o celibatarismo, pelo que nunca constituiu família… Quem no inverno fosse à Casa do Soiero, lá o encontrava às réstias do sol, socegado, de uma lucidez de espírito admirável que conservou até á morte».
José Exposto nasceu, provavelmente no ano de 1822.
Apetece-me questionar…. Será que não ter de “aturar” mulheres aumenta a longevidade?

IN: Jornal “O DESFORÇO”, 8 Dezembro 1932

15 de dezembro de 2011

CINEMA SONORO ABRIU COM “A LOUCURA DE MONTE CARLO” (1931)





A inauguração do cinema sonoro em Fafe aconteceu na quinta-feira, 17 de Novembro de 1932, há 79 anos.
A este respeito o jornal “O Desforço” de 24 de Novembro de 1932 refere o seguinte:
«A inauguração do Cinema Sonoro em Fafe, feita na quinta-feira no importante Teatro-Cinema, foi motivo de grande e geral regosijo, por esse facto demonstrar que esta linda terra continua a marcar, vestindo, de mãos dadas com as cidades, os figurinos da época.
Excedeu a expectativa.
E, a despeito da chuva torrencial que caiu, a bela casa de espectáculos, primorosamente modernisada – a quem diz modernisada, diz actualizada a todos os requisitos, perfeita na excepção da palavra, pois nada lhe falta em condições de segurança, de higiene, de asseio, de conforto proporcionado ao publico, conforto e luxo, onde deviam ter sido gastos para cima de 300 contos – encheu por completo.
Vieram bastantes famílias dos concelhos visinhos, muita gente das freguesias ruraes e uma imensidade de pessoas da vila – casa completamente cheia – todos ávidos de ver e ouvir, pois para a maior parte o Cinema Sonoro ainda era desconhecido.



O Cinema Mudo, que teve a sua época, é hoje incompleto para a nossa maneira de ser; etapa na carreira da fotografia em movimento, que mais tarde teria de animar-se com o eforço de Auguste Baron – Pae do sonoro que hoje vive na miséria em Newilly – já estava a fatigar e a a adormecer.
O Sonóro, aproximando-se mais da verdade da nossa vida e das nossas senssações, que empolga e sugestiona as plateias com o som dos seus auto-falantes, veio relegar o mudo para o museu das coisas históricas, e ganhou mesmo vantagens ao teatro, em emoção, em arte e suptuosidade, oferecendo-nos quasi ao vivo, musica, canções e bailados.
E foi isso que a reabertura do Teatro, há muito anciada, foi motivo, no dia 17, de grande e geral regosijo, agradando sobremodo a elegância do écran, ao qual a plateia unânime e entusiasticamente seu uma salva de palmas, que o mesmo foi felicitar, aclamar a Empresa pelo primor, pela excelência, pela perfeição.
Decorreu depois a sessão, uma sessão alegre, animada, em que sobressaiu a encantadora opereta «A Loucura de Monte Carlo». O programa foi bem escolhido e a sessão agradou plenamente.



Mas, como nesta, todas as quintas feiras e domingos o publico terá ensejo de ver surpreendentes “soirées” faladas, musicadas, autênticos sucessos em graça, hilariante, aventuras, amor, etc.
Em suma: o Teatro-Cinema. A jóia dos teatros portugueses – proporciona, com a melhor e mais perfeita aparelhagem sonora, duas vezes por semana, ao publico da nossa terra e dos concelhos vizinhos, com preços acessíveis, os mais agradáveis passatempos, tirando-nos da monotonia profunda em que vivíamos, pois nem só de pão vive o homem….
Por isso não nos cansamos de louvar quem, não se poupando a demasiadas despezas e grandes trabalhos, nos sabe nivelar com os meios mais adiantados onde se gosa o bom o belo e o gradavel. A casa de domingo encheu-se também e o “Cruzeiro de Amor”, como as restantes partes da sessão, muito agradaram.»





13 de dezembro de 2011

“CENAS DE PUGILATO” NO TEATRO-CINEMA DE FAFE






No passado Domingo, 13 de Novembro de 1927, o Teatro-Cinema de Fafe foi palco de “desafios de Boxe”. Pela primeira vez a Vila de antanho acorreu à sala de espectáculos para assistir ao inédito evento, organizado pelo fafense Silvano Costa, “um rapaz de merecimento, valente, destemido, como de tal já deu provas no Brazil… No 4º e último encontro, devia bater-se com Silvano o ex campeão Albano Campos: mas, temendo-o, foi substituído por António Mateus, campeão amador do Norte. A luta foi empolgante, Silvano, conhecedor da força do seu adversário, atira-se – luta, sangue frio e força, naturalidade em suma e vence, triunfa, resistindo galhardamente às terríveis investidas do seu antagonista, ganhando franca  lealmente a luta ao 7º round por knokout.
Silvano ao aparecer no palco, teve estrondosas salvas de palmas…”

Um espectáculo diferente realizado há 84 anos no nosso Teatro.

Fonte: Jornal “O Desforço” de 17 de Novembro de 1927