4 de março de 2018

COMPANHIA DE FIAÇÃO E TECIDOS DE FAFE Por Miguel Monteiro







Reprodução de postal ilustrado. Inicio do século XX


Data de fundação: 1887
Fundador: José Ribeiro Vieira de Castro
Lugar: Fafe

«A Companhia Industrial de Fafe, empresa moageira que, possuindo uma queda de água na margem do rio Ferro, se propunha com ela explorar também o ramo de fiação e tecidos, não pôde levar a bom termo esse projecto, pois, entrando subitamente em crise, careceu de capital não só para enfrentar as dificuldades surgidas como para prosseguir na obra planeada. Em tão difícil e delicada emergência um grupo de sócios, orientando pelo experimentado e sabedor capitalista portuense, natural de Fafe, Sr. José Ribeiro Vieira de Castro, sugeriu, em assembleia de 15 de Dezembro de 1886, que se procedesse à remodelação dos objectivos industriais da Companhia, circunscrevendo a sua actividade apenas ao ramo têxtil e aumentando-lhe o capital de modo a satisfazer os encargos resultantes Joaquim Morais, José Ribeiro Vieira de Castro e João Evangelista da Silva Matos […]

 Por impedimento do Sr. António Joaquim de Matos de Morais, substitui-o nas funções em 1897 o Sr. Manuel de Lemos, que concedeu ao Sr. Vieira de Castro uma colaboração valiosa, possibilitando que ambos realizassem em prol da empresa uma obra apreciável, pois, a partir de 1900, a fábrica começou a tomar incremento, ampliando as instalações e reapetrechando as oficinas. O Sr. José Ribeiro Vieira de Castro faleceu em 1905, sucedendo-lhe na gerência o Sr. Manuel Cardoso Martins, dedicado funcionário da sociedade, onde desde 1897 ocupava o lugar de guarda-livros.

 Em 1916, e por morte do Sr. Manuel de Lemos. Entrou para a Direcção o Sr. Albano Vieira de Castro, sobrinho do fundador, e que também desempenhara cargos de responsabilidade como empregado da firma. Unidos por um elevado espírito de mútua compreensão, e conhecendo ambos todos os problemas profissionais que poderiam interessar ao progresso da empresa os Srs Manuel Cardoso Martins e Albano Vieira de Castro, seguindo o exemplo dos seus antecessores, imprimiram à fábrica várias remodelações sucessivas, algumas delas ainda em curso, e conseguiram não só dar maior extensão às oficinas como também construir novos corpos edificados para instalação de aperfeiçoadas secções de branqueação, tinturaria e acabamentos. […] [em 1947] Equipada com dezoito mil fusos e setecentos e oitenta e três teares mecânicos, a ‘Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe’ ocupa nas suas vastas oficinas aproximadamente mil e trezentos operários, aos quais, desde há muito tempo, presta uma assistência social relevante e que pode ser considerada com justiça um dos principais motivos de orgulho da actuação directiva, pois constitui obra de modelar exemplo. Muito antes de outras organizações estabelecerem benefícios aos seus empregados no sentido de lhes assegurar a tranquilidade futura, instituiu a ‘Companhia de Fafe’ subsídios de reforma aos operários atingidos por doença, invalidez ou velhice, encargo que fielmente cumprido e executado, representa hoje, [1947] para o seu cofre, a despesa anual de cerca de trezentos mil escudos. Durante a guerra de 1914-1918, a fim de obstar à especulação que absorvia totalmente os salários dia a dia mais elevados, a gerência montou também uma grande cantina destinada a abastecer o pessoal com géneros de primeira necessidade, vendidos a preços mínimos e fornecidos a crédito ou em pagamentos suaves.


Reprodução de fotografia propriedade da CFTF

O lucro dessa cantina, que funcionou e funciona vantajosamente para os interessados, reverte a favor dos consumidores. Tendo depois fundado uma creche e lactário com duzentos leitos, a Direcção, em 1926, abriu uma escola infantil anexa que, de seguida, completou com escolas primárias, onde o ensino é presentemente ministrado por seis professores contratados e pagos pela companhia. Quatrocentas crianças são assim carinhosamente amparadas e educadas, sem que os pais tenham qualquer sacrifício ou prejudicar o seu trabalho. Para eles existe também uma cozinha económica, dotada de amplos e confortáveis refeitórios, onde lhes são servidas, a preços extraordinariamente ínfimos, abundantes e variadas refeições. Assistência médica permanente, exercida por clínicos privativos da fábrica, vela pela saúde. Este serviço é autónomo e nada tem com aquele que se refere a acidentes de trabalho. Finda a tarefa diária, os operários podem utilizar nas suas abluções balneárias modernos e higiénicos. Coroando tão bela obra humanitária, cuja valor e significado merecera, das entidades superiores expressivas provas de incentivante louvor, a Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe erigiu excelentes bairros e moradias para habitação de grande parte dos seus assalariados, que, a troco de insignificantes rendas, passaram a dispor de casas construídas segundo exigências da mais perfeita profilaxia, cada qual possuindo quarto de banho e saneamento conveniente. […]

A Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe (Fábrica do Ferro) empregava, em 1909, 450 operários, utilizando, a partir de 1927, a energia eléctrica através de três turbinas hidráulicas, instaladas na empresa. Esta, em 1914, dispõe de cantina, e em 1926, possui uma creche e lactário com duzentos leitos, escolas infantil e primária.

Miguel Monteiro

In: Fafe dos «Brasileiros» (1860 – 1930)
Perspectiva Histórica e Patrimonial
Fafe, 1991

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